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29 de septiembre de 2011 | | |

É possível

Projeto autogestionado por seus trabalhadores consolida-se no Uruguai

Depois de quase oito anos de remar contra a corrente a Cooperativa de Trabalhadores Molino Santa Rosa de Uruguai, gestionada por seus próprios membros pagou suas dívidas com o Banco de la República (BROU), tornando a infra-estrutura e maquinarias propriedade de suas trabalhadoras e trabalhadores.

O fato é uma amostra clara do compromisso deles e também das famílias de produtores que cultivam para essa indústria, na cidade de Santa Rosa e que quase uma década atrás iniciaram este projeto de auto-gestão e compromisso social.

Quase meio milhão de dólares foi a quantia total que teve que pagar a cooperativa ao banco público para cobrir –em parte- o empréstimo que receberam os anteriores proprietários da empresa. Nesse lapso, os trabalhadores e trabalhadoras levaram adiante o projeto industrial sob os princípios da Soberania Alimentar e a produção familiar, o que representa um desafio extra num contexto de concorrência empresarial com forte presença de capitais estrangeiros no Uruguai.

Um dos compromissos da cooperativa tem sido não utilizar milho ou outros grãos geneticamente modificados em suas moendas para alimentação humana ou animal, bem como o apoio de cultivos em escala familiar como no caso do “chícharo” e o grão-de-bico, o que tem reativado as economias de famílias rurais assentadas nas imediações de Santa Rosa.

Graças a este projeto tem se reativado o cultivo de trigo no departamento (província) de Canelones. De fato atualmente a cooperativa está em uma nova safra de trigo, com mais de 3000 hectares cultivados no departamento.

O moinho é um dos mais antigos do Uruguai ao ter sido fundado em 1925.
No fim dos anos 90 a empresa privada quebrou e deixou uma dívida de cerca de cinco milhões de dólares. Em abril de 1999, uma Cooperativa integrada por 44 trabalhadores do empreendimento quebrado, se encarregaram da gestão do histórico moinho. Em 2004, através de um remate público, compraram suas instalações transformando-se na primeira e única empresa recuperada proprietária de seu meio de produção e assumindo parte da antiga dívida.

Hoje os produtos da cooperativa chegam a toda a área metropolitana do Uruguai e são reconhecidos por serem livres de transgênicos e produção sustentável.

O Engenheiro Agrônomo Carlos Reyes, Gerente da Cooperativa comentou à Rádio Mundo Real que no dia 21 de outubro na tradicional festa anual do moinho será feito um balanço final do que tem sido esta longa luta dos trabalhadores por sua fonte de trabalho.

Também destacou os fortes laços entre a cooperativa e organizações sociais e de produtores que tem feito possível a subsistência e a consolidação do projeto.

Foto: www.produccionnacional.com.uy

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