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12 de Novembro de 2012 | | | |

A biodiversidade não está à venda

Entrevista com Friedrich Wulf, de Pro Natura - Amigos da Terra Suíça

O principal tema debatido na décima primeira Conferência das Partes (COP 11) da Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (CBD, por sua sigla em inglês), foi como financiar a proteção da biodiversidade, afirmou o diretor de Política Internacional sobre Biodiversidade de Pro Natura - Amigos da Terra Suíça, Friedrich Wulf.

“Antes da COP -realizada na cidade índia de Hyderabad, do 8 a 19 de outubro- cada país tinha a tarefa de avaliar quanto dinheiro gastou, quanto dinheiro ainda precisa e quantas subvenções perversas já estavam sendo gastas, ou seja, subvenções que prejudicam a biodiversidade”, disse o ativista em entrevista com Rádio Mundo Real. “Mas os países não fizeram sua tarefa, ou seja que não havia dados confiáveis à disposição”, lamentou.

A CBD entrou em vigor no dia 29 de dezembro de 1993 e persegue três objetivos principais: a conservação da biodiversidade, a utilização sustentável de seus componentes e a distribuição justa e equitativa dos benefícios derivados dos recursos genéticos.

Wulf tem estado seguindo de perto os últimos anos das negociações nesse espaço das Nações Unidas (ONU). Na conversa com Rádio Mundo Real mencionou que na COP anterior, realizada na cidade de Nagoya, Japão, em 2010, houve algumas decisões fundamentais, como o desenvolvimento de um plano estratégico de 20 metas para proteger a biodiversidade, aumentar o financiamento para essa proteção e estipular um protocolo contra a biopirataria.

A partir dos resultados de Nagoya, o objetivo da COP em Hyderabad era o de estipular metas concretas, ou seja, quanto dinheiro mais será gasto em biodiversidade, conforme Wulf. Para tratar este ponto, os Estados tinham que saber, em primeiro lugar, quanto dinheiro estão gastando atualmente para ter uma referência. Mas os países “não fizeram sua tarefa”.

Apesar disto, Wulf afirmou que após duas semanas de intensas negociações os Estados que integram a CBD conseguiram estipular algumas metas. Por exemplo, estipularam duplicar os fundos para biodiversidade para 2015.

Apesar de que o ativista considera que esses fundos não são suficientes para fazer tudo o que faria falta para a proteção da biodiversidade, afirmou que é um começo e um passo na direção correta. Neste sentido, expressou: “gostariamos de ver agora os países porem em prática esta decisão, vê-los tomar medidas para que haja mais dinheiro disponível para salvar a biodiversidade”.

De onde vem o dinheiro?

Wulf afirmou que a posição da Amigos da Terra é que a biodiversidade deve ser financiada com fundos públicos (por exemplo, através de impostos). Em suas próprias palavras: “dinheiro público para os bens públicos”.

O ativista afirmou que na COP anterior em Nagoya “houve um grande debate sobre o uso de mecanismos financeiros inovadores para obter esses fundos, que incluem os mecanismos de compensação, que lhe colocariam um preço à natureza, como os mecanismos de desenvolvimento limpo”. “Não concordamos com (a opção de) que o dinheiro provenha dessas fontes porque poderia provocar a privatização e mercantilização da natureza, por isso nos opomos”, explicou Wulf.

Apesar de o ativista afirmar que não foram tomadas decisões importantes sobre este tema em Hyderabad, ainda não foi fechada a porta para os mecanismos financeiros inovadores.

Em relação à cooptação empresarial da ONU, um fenômeno habitual nas negociações das COP de Mudanças Climáticas, o que tem sido denunciado por Amigos da Terra Internacional, Wulf afirmou que o processo nas COP da CBD é bem diferente. “Sempre tem sido muito participativo. As organizações não governamentais e os povos indígenas têm muitas oportunidades para se expressar. Podem propor suas preocupações inclusive durante as negociações. É um processo muito espontâneo”, avaliou.

Sobre as moratórias contra a geo-engenharia e a tecnologia Terminator, que cria sementes de cultivos estéreis em segunda geração, que foi um dos temas propostos nas duas últimas COPs da CBD, Wulf afirmou que a situação não tem mudado e que essas moratórias continuam em pé.

No entanto, mencionou que alguns países não têm cumprido com a moratória sobre a geo-engenharia. O exemplo mais recente, que foi muito debatido em Hyderabad, é o do Canadá, que realiza fertilização oceânica (uma dos métodos de geoengenharia) com ferro na costa do Pacífico, perto de terras indígenas. Este é um motivo de preocupação, já que as decisões tomadas não estão sendo aplicadas por todos, disse Wulf.

Por último, sobre a participação da Suíça na COP, o ativista de Pro Natura – Amigos da Terra Suíça mencionou que a intervenção de seu país foi muito construtiva, embora negou-se a prometer mais fundos para proteger a biodiversidade enquanto não hajam números claros sobre quanto dinheiro é necessário. Esta posição, na opinião de Wulf, ameaça a possibilidade estipular um acordo sobre o financiamento da biodiversidade: “Felizmente, convencemos eles de que não bloqueassem a negociação, mas não concordam com a possibilidade de arrecadar fundos para a biodiversidade, por tanto teremos que falar com eles para que mudem seu posição”, concluiu o ativista suíço.

Foto: http://bloglemu.blogspot.com

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