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3 de Dezembro de 2010 | | |

Retrocessos

O Protocolo de Kioto em risco

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O Japão advertiu nas negociações do clima de Cancun que abandonará o Protocolo de Kioto, único tratado que obriga os países do Norte para reduzir suas emissões de gases contaminantes. As organizações sociais que seguem a conferência da ONU avaliam o anúncio japonês como uma ameaça ao processo de negociações.

"A decisão do Japão de abandonar o Protocolo de Kioto mostra a grave falta de reconhecimento de sua própria responsabilidade histórica e moral", avaliou Yuri Onodera, da Amigos da Terra Japão. "Com esta posição o país se isola do resto do mundo, e o que é pior, este passo prejudica as atuais negociações e é uma grave ameaça ao progresso que é preciso em Cancun”, lamentou o ativista em comunicado de imprensa da Amigos da Terra Internacional.

Japão foi muito enfático e garantiu que não aderirá à seguinte fase do Protocolo de Kioto (2013 – 2017) sob nenhuma circunstância, uma posição confirmada em Tóquio, capital japonesa, pelo primeiro ministro do país, Naoto Kan.

Em entrevista com Rádio Mundo Real, Yuri Onodera afirmou que Japão tem que perceber que a "sobrevivência do mundo está em jogo". Explicou que a preocupação do gigante asiático é uma eventual perda de competitividade ao restringir sua indústria para reduzir suas emissões.

Canadá e Rússia também têm dado sinais claras de rejeição ao Protocolo de Kioto, mas não se espera que tenham posições tão negativas quanto a japonesa nesta COP. Onodera considerou que isto deve ser aproveitado pelos países em desenvolvimento para pressionar pelo segundo período de compromissos.

O integrante da Amigos da Terra Japão espera que na COP seja estipulada a continuidade desse Protocolo e destacou a necessidade de que os países desenvolvidos se comprometam com grandes reduções de emissões.

No entanto, Onodera reconheceu que os Estados industrializados, especialmente os que não fazem parte da União Européia, são muito resistentes a aceitar grandes reduções de emissões se os Estados Unidos e os maiores países em desenvolvimento (China, Índia, Brasil, entre outros) não aceitarem também compromissos de reduções de níveis similares. Os Estados Unidos é o único país que nunca ratificou o Protocolo de Kioto.

Por outro lado poderia haver algum tipo de acordo em Cancun, conforme Onodera, no que diz respeito à transferência de tecnologias Norte – Sul para um desenvolvimento mais sustentável dos Estados em desenvolvimento.

Também há chances de que se estabeleça um mecanismo para financiamento climático. Os temas relativos a direitos de propriedade intelectual dessas tecnologias também estão em debate.

A sociedade civil está alerta em Cancun pelos acordos que puderam sair sobre estes temas. Diversas entidades rejeitam o mercado de carbono, o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) das florestas nos países em desenvolvimento e a administração do Banco Mundial dos fundos do clima.

Foto: http://www.flickr.com/photos/amigosdaterrabrasil/

(CC) 2010 Radio Monde Réel

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